O nome do coronel Régis Wellington Braguin Silvério, comandante-geral da Polícia Militar de Rondônia, passou a circular com força no debate político estadual depois que a coluna Resenha Política, assinada por Robson Oliveira, revelou que ele teria admitido em conversa reservada a possibilidade de disputar o Governo do Estado em 2026.
Embora a ideia não tenha sido ventilada na entrevista que concedeu recentemente a um podcast, a simples menção foi suficiente para incendiar os bastidores e levantar uma questão inevitável: Rondônia estaria disposta a colocar na urna um coronel que promete guerra aberta ao Comando Vermelho (CV), ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e à Liga dos Camponeses Pobres (LCP)?
Segurança como bandeira
A eventual candidatura de Braguin encontra terreno fértil num estado marcado por conflitos agrários, avanço do narcotráfico e violência organizada. Sua gestão à frente da PMRO já foi marcada por declarações firmes contra facções criminosas e também contra a LCP — grupo envolvido em disputas violentas pela posse de terras e em ataques a propriedades rurais.
O discurso de “guerra sem trégua” ao crime organizado ressoa junto a parte expressiva da população, que vê na figura do comandante a imagem de um homem de ação, disposto a enfrentar os grupos que desafiam o poder público em várias frentes: das periferias urbanas às zonas rurais.
Política e resistência
Apesar da força de seu nome no campo da segurança, Braguin precisaria transpor barreiras políticas complexas. Uma candidatura militar ao Executivo estadual desperta tanto entusiasmo quanto resistência. Para alguns, representaria uma guinada de Rondônia para uma agenda de lei e ordem; para outros, seria o risco de militarizar ainda mais a política.
Além disso, a LCP tem histórico de tensionar a política rondoniense. Sua atuação em áreas rurais, associada a confrontos com forças policiais e proprietários de terras, pode colocar Braguin em um campo de disputa não apenas com facções do narcotráfico, mas também com setores ligados a movimentos sociais e a grupos políticos que orbitam em torno dessas bandeiras.
2026 no horizonte
Ainda que não haja confirmação oficial de sua intenção de concorrer, a especulação já reposiciona o coronel no tabuleiro político estadual. Se decidir disputar, Braguin terá de equilibrar sua imagem de comandante combativo com a habilidade de articular alianças e dialogar com diferentes setores — algo essencial para transformar popularidade em votos.
O certo é que, ao prometer “guerra aberta” ao CV, PCC e LCP, o comandante-geral da PMRO coloca no centro da pauta eleitoral um dos temas mais sensíveis da vida rondoniense: a segurança pública.
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